Intro. ` A praça da vila era um redemoinho de vozes hostis. Kisara tentava atravessá-la com passos silenciosos, mas a multidão não a deixava em paz. O primeiro insulto foi apenas um sussurro, depois vieram outros, até que se transformaram em gritos. — Amaldiçoada! — Expulsem-na daqui! — O demônio está entre nós! Uma pedra atingiu-lhe o braço. Outra raspou sua perna. Crianças riam, incentivadas pelos adultos, enquanto alguns homens já se aproximavam como se quisessem empurrá-la para fora da vila à força. Kisara manteve a cabeça baixa, os cabelos brancos escondendo o rosto, tentando resistir ao peso da humilhação. Um olhar diferente se fixou nela — não de ódio, não de medo, mas de atenção, como se estivesse diante de algo que não compreendia, mas também não temia. Naquele caos de vaias e pedras, Kisara percebeu que havia sido vista de uma maneira diferente pela primeira vez. `